Nascido em São Paulo (BR), o compositor e baterista Alex Buck (1980) iniciou sua carreira musical aos 17 anos após vencer o maior concurso de bateristas do Brasil, o Batuka!edição 1997. Sua vocação e gosto pela improvisação levaram-no a uma intensa incursão ao território da linguagem jazzística e, futuramente, sua contínua curiosidade por novas práticas musicais o levaram

para outros territórios musicais.

por: Leandro Kavasaki

JAZZ & MÚSICA INSTRUMENTAL BRASILEIRA

Entre os músicos com os quais desenvolveu importantes parcerias naquele período estão Michel Leme, Thiago Espírito Santo e Sandro Haick.

 

Em 2001, gravou seu primeiro disco, Resistindo,  como co-líder de um trio que contava com Silvia Góes (pn) e Thiago Espírito Santo (bx). No mesmo ano, começou a preparar as composições e arranjos para o registro de seu primeiro disco solo, projeto que viria a se concretizar em meados de 2013.

 

Luz da Lua, contou com a participação de alguns dos maiores músicos brasileiros, músicos com os quais Alex costumava colaborar como baterista. Filó Machado, Naylor Proveta, Léa Freire, Vinícius Dorin, Arismar do Espírito Santo e Silvia Góes são alguns desses artistas. O CD foi lançado em 2015 e apresentou a faceta de compositor de Alex.

Em 2006, começou a idealizar seu segundo disco solo. Mantendo o mesmo modelo do primeiro disco, em que idealizava uma formação de músicos distinta a cada faixa do disco,  a diferença para o primeiro disco se deu pelo ato de serem músicos de sua geração — por isso o nome "Irmãos de Som". Nesse disco aprecem: Chico Pinheiro (gt), Alessandro Penezzi (vl), Cassio Ferreira (sx), Gabriel Grossi (ga), Fabiana Cozza (voz), Luciana Alves (voz), entre outros.

Entre 2003 e 2009, Buck integrou o grupo do multi-instrumentista Arismar do Espírito Santo junto com Silvia Góes (pn), Vinícius Dorin (sx), Léa Freire (fl) e Thiago Espírito Santo (bs). Como baterista do grupo gravou o disco Foto do Satélite (2005) e participou das apresentações do grupo pelo Brasil.

Em 2008, inciou uma das mais relevantes parcerias de sua carreira com Bruno Migotto (bs) e Edson Sant'anna (pn), o Trio Ciclos. Neste projeto, pôde desenvolver diversas técnicas específicas para a improvisação dita jazzística e trazer elementos da composição eletroacústica e da improvisação livre para a poética do trio. Com o Ciclos gravou quatro discos (Trio Ciclos, Mobiles vol.1 (2016), vol.2 (2018) e vol.3 (gravado em ao vivo em 2019, ainda sem previsão de lançamento).

Em 2010, outra importante marca no seu processo artístico: ingressou no quinteto Bamboo, com os parceiros Bernardo Ramos (gt), Bruno Aguilar (bs), Josué  Lopez (sx) e Vitor Gonçalves (pn). Com eles gravou dois discos, Bamboo (2010) e Abertura (2014), ambos independentes.

COMPOSIÇÃO ERUDITA / ACADEMIA

Em 2009, sentindo a necessidade de expandir seu território artístico, decidiu se aprofundar nos estudos da composição erudita, orientado pelo compositor Marcus Siqueira. Nesse mesmo ano, sua composição Dialética das Durações — para percussionista solo — foi premiada e estreada na XIX Bienal de Música Contemporânea no Rio de Janeiro.

 

Já durante sua graduação em Composição com Ênfase em Eletroacústica, na universidade paulista (UNESP), especializou-se na modalidade acusmática de composição e em 2018, orientado por seu mestre, o compositor Flo Menezes, finalizou seu Mestrado naquela mesma instituição.

COMPOSIÇÃO ACUSMÁTICA

Foi durante sua graduação em composição que Buck descobriu a modalidade de composição acusmática. Modalidade essa que tornou-se seu principal foco de criação artística.

 

Em 2014, compôs Água Viva, peça octofônica inspirada pelo livro homônimo da escritora Clarice Lispector.

 

Em 2015, compôs Pendulum, peça que teve sua estreia em Colônia (AL) naquele mesmo ano e foi selecionada para participar do festival internacional MUSILAB em 2016 no México.

 

Em 2016, compôs a primeira peça de um série intitulada JazzEx, ciclo de peças que mistura elementos do jazz e do gênero eletroacústico. JazzEx nº1 foi selecionada para participar do festival internacional Exhibitronic (FR).

 

Em 2018, sua peça Fantasia Essata foi finalista de dois importantes festivais internacionais de música eletroacústica: Metamorphoses (BE) e MA/IN na Itália.

 

Em 2019, sua peça Screaming Trees ganhou o primeiro prêmio no festival internacional Musica Nova (RC).

JAZZ EXPERIMENTAL

Desde o ano de 2014, Buck vem experimentando integrar seus dois campos de atuação (música instrumental brasileira / jazz e música eletroacústica).

 

No disco 1011 essas experiências pioneiras podem ser constatadas. Nesse disco, Alex incorporou um live-coder (André Damião) para improvisar com seu grupo. Mais tarde, essas experiências continuaram a ser desenvolvidas no projeto colaborativo Trio Ciclos.

 

Atualmente, Buck está escrevendo uma peça para Disklavier (player piano), baixo, bateria e eletrônica em tempo real.

EDUCADOR

Paralelamente à sua carreira artística, Buck ministrou diversas oficinas pelo país abordando assuntos diversos tais como análise musical, a história da bateria brasielira, improvisação (idiomática e não idiomática), composição e arranjo.

 

Foi professor da EMESP - Tom Jobim, uma das principais instituições de ensino de música do país, entre 2013 e 2019. Foi professor de música do Colégio Oswald de Andrade entre 2015 e 2019 e atualmente dá aulas de Practical Musicianship A no Instituto de Artes da California.

ATUALMENTE

O artista está desenvolvendo um doutorado no Instituto de Artes da Califórnia — CalArts  — dentro do programa DMA Performer-Composer.